segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Estréia


Há algum tempo recebi o convite do dono deste blog singular (desde o início fiquei entusiasmada pela idéia original de que todos poderiam contribuir com sua construção) para escrever um texto meu aqui. Pensei em temas que pudessem causar impacto, criar polêmicas, temas com assuntos na pauta do dia, etc...

No fim nada me pareceu suficientemente polêmico, suficientemente impactante e a pauta do dia sempre se perdia na infinidade de temas abordados no mundo virtual, televisivo e escrito. No meio dessa falta de ter o que falar resolvi escrever sobre a coisa que mais amo neste mundo: música. Como idéias sobre ela não me faltam gostaria de convidar vocês leitores e ouvintes a compartilharem comigo o tema deste primeiro artigo. Quero falar sobre as influências musicais decisivas nas nossas vidas.

Falar em influências decisivas nas nossas vidas, geralmente, as primeiras pessoas em quem pensamos são os nossos pais. É a partir deles que começamos a ter contato com as coisas deste mundo.

Comigo não seria diferente.

Quando me lembro das minhas primeiras referências musicais me vêm logo à cabeça duas figuras: a sambista Clara Nunes e o pianista pop clássico Richard Clayderman. Do lado paterno veio o samba de Clara Nunes, praticamente único gênero musical do qual meu pai gosta, e do lado materno o instrumental pianista.

Lembro...

- Se é que se pode confiar em uma lembrança de mais de 25 anos.

...das capas dos discos e de, principalmente, minha mãe ouvindo à noite os discos “relaxantes” de Clayderman. E foi assim, pelos descaminhos do samba e do instrumental que acabei indo parar na “perdição” do pop/rock internacional.

Pois é, apesar dos meus pais terem sido aqueles que me apresentaram a música não seriam eles minhas influências decisivas. Definitivamente não gosto e nunca lembro de ter gostado de samba, com uma honrosa exceção ao samba – rock do mestre Jorge Bem, e de música instrumental, com honrosas exceções a alguns nomes do jazz. Não precisei, é verdade, ir muito longe para descobrir meu “mentor musical”. Alguém que realmente respirava música, coisa que não acontecia na minha família nuclear, e que continua sendo pra mim importante referência quando o assunto é som. Meu tio Fernando, irmão da minha mãe, foi minha influência musical decisiva.

Lembro de estar sentada na casa da minha avó materna, que nessa época morava no prédio em frente ao nosso e em cuja casa meu tio residia, ouvindo o primeiro disco que realmente fez sentido pra mim.

O ano devia ser entre 83 -84, tinha eu apenas 5 ou 6 anos, e a música que saia da radiola...

- Detalhe o meu Word está corrigindo a palavra radiola *risos,

... era um som que eu jamais vou esquecer o quão impactante ele foi pra mim. O artista era Michael Jackson e o álbum era o espetacular, com certeza o melhor álbum pop de todos os tempos, isso não é exagero, Thriller. Lembro de ficar olhando a capa do álbum maravilhada com aquele cara que se transformava em lobisomem e que iluminava as calçadas e tudo mais por onde ele passava. Uma espécie de Midas da música mundial. Nunca tinha visto e ouvido nada igual na minha vida. É uma daquelas lembranças transformadas em sensações que vão me acompanhar até o último segundo. Tudo bem que ser impactado pelo arrasa quarteirão Thriller não deve parecer nada demais.

- Afinal quem não foi?

Mas imaginem uma criança que ouvia samba, instrumental e os discos do Trem da Alegria, dos Patinhos, Pirlimpimpim, Balão Mágico, e todas as preciosidades dos anos 80, de uma hora pra outra se deparar com Thriller e Billie Jean. Posso garantir a vocês que isso foi decisivo na minha vida musical .A partir daí comecei a descobrir e consumir tudo que era música pop internacional. Veio Madonna, depois A-ha, depois Tears for Fears, e muitos outros filhos do pop internacional oitentista que nem sobreviveram pra contar história. Entretanto, se o foco das minhas atenções para o pop estavam quase sacramentadas, ainda sofria a influência de Xuxa, Paquitas, Angélica e todos os ícones da infância anos 80, o rasgão definitivo nas minhas influências musicais veio aos 10 anos com uma banda chamada Guns’n Roses. Apetite for destruction, seu disco de estréia e arrasa quarteirão do hard rock, sacramentou de vez minha redenção ao mundo do pop/rock. Não podia nem queria resistir ao chamado deles. Tinha finalmente encontrado minha turma.

Não pensem vocês que sou mal agradecida. Guardo com muito carinho as lembranças de Clara Nunes e Richard Claydermam. Afinal de contas, são eles que me fazem lembrar das pessoas, senão decisivas para o meu gosto musical com certeza decisivas e mais importantes da minha vida. Meus pais.

Agora deixo a peteca com vocês. Até a próxima!  

Bruna Ismerin

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Felipe Vieira disse...

"Zorraaa..." textinho alto nível! Valeu Dra. Bruna. Fique a vontade quando quiser mandar mais textos... Adorooooo...

Unknown disse...

aaaaaaaaaaaahn!!!

fernando cesar ismerim silva disse...

Adorei minha sobrinha.Não acredito realmente, que em relação a música,haja um mentor de si mesmo.Eu nunca esquecerei quando ouvir pela primeira vez o disco do Led Zeppelin-Presence(1976)-,apresentado por um trio paulista em um acampamento na Barra do Gil,se acampava na ilha.E posteriormente o disco do Rick Wakeman,Journey to the centre of the Earth(1974),simplesmente fantástico.E ainda fico contente quando, ao me desfazer dos meus cds,você ainda tenha encontrado coisas que mereciam ser resgatadas.Um beijo para uma pessoa que possui um gosto musical pra la de sensacional

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